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Introdução A vigilância das enfermidades transmitidas por alimentos (VETA) é o conjunto de atividades que permite reunir a informação indispensável para conhecer o comportamento ou a história natural das enfermidades, e detectar ou prever mudanças que possam ocorrer por alterações nos fatores condicionantes ou determinantes, a fim de recomendar, de forma oportuna e com bases firmes, as medidas indicadas e eficientes para sua prevenção e controle. O componente VETA deve ser incorporado e integrado aos sistemas de vigilância na área da saúde pública; envolve um trabalho de colaboração entre epidemiologistas, sanitaristas, médicos clínicos, responsáveis por programas de alimentos, laboratórios e pessoal da saúde em geral, bem como com outros agentes extra-setoriais que participam da rede de produção de alimentos. As atividades da VETA devem ser orientadas por um Comitê Técnico Inter-setorial de ETA, estabelecido em todos os níveis: nacional, regional e local. Deve-se definir as funções das entidades participantes, de acordo com sua competência e responsabilidade. O Sistema de Informação VETA constitui um subsistema do Sistema de Vigilância Nacional, existente em todos os países da região. A vigilância compreende as ações de: coleta sistemática da informação pertinente produzida por meio de notificações e/ou investigações, consolidação, avaliação e interpretação dos dados, recomendação das medidas adequadas a serem tomadas e divulgação interna e pública da informação e das recomendações geradas. Uma de suas prioridades deve ser a divulgação oportuna para os órgãos responsáveis, que devem decidir e agir nos diversos níveis do sistema de saúde. Deduz-se, portanto, que o objetivo da vigilância é ter condições de recomendar medidas de curto ou longo prazo para controlar ou prevenir o problema, baseadas em dados objetivos e científicos. O objetivo operacional de um sistema de vigilância é definir os problemas relevantes das enfermidades em termos epidemiológicos, incluindo casos de emergência, assim como avaliar mudanças de tendência causadas pela natureza ou pelo ser humano. Um dos principais objetivos é a definição dos grupos populacionais de mais alto risco, nos quais serão concentradas as ações de controle e prevenção. Um estudo comparativo dos grupos de alto e baixo risco pode levar a uma melhor compreensão da interação do hospedeiro, do agente e do meio ambiente, assim como do comportamento do hospedeiro e da associação desses fatores com a enfermidade. O estudo ecológico e a vigilância não podem se limitar apenas à observação e ao registro de casos; para sua concretização, é preciso contar com uma equipe multidisciplinar composta por epidemiologistas, veterinários, clínicos, microbiologistas, bioquímicos, ecologistas, estatísticos, nutricionistas e peritos de outras disciplinas. Reconhecemos que nenhum Guia ou manual de vigilância pode ser aplicado a todos os casos e situações. Na parte operacional, esse guia pode sofrer modificações para se adaptar às necessidades reais de cada país. O sistema VETA é parte integral dos Programas de Inocuidade; verifica os danos que os alimentos contaminados podem causar à saúde da população e avalia o próprio programa do qual faz parte.
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