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GuiaVETA
Guia de Sistemas de Vigilância das Enfermidades Transmitidas por Alimentos (VETA) e a Investigação de Surtos

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ANEXO F

CRITÉRIO PARA CONFIRMAR UM SURTO DE ETA EM FUNÇÃO DOSRESULTADOS LABORATORIAIS OU ANTECEDENTES EPIDEMIOLÓGICOS

 

ENFERMIDADE

ISOLAMENTO DO PATÓGENO

ASSOCIAÇÃO COM SOROTIPO

AUMENTO DO TÍTULO OU NÚMERO RECUPERADO

DETECÇÃO DE TOXINAS OU OUTROS CRITÉRIOS

Gastroenterite por Bacillus cereus

  1. Toxina emética
  2. diarréica
 

O mesmo sorotipo de B. cereus em amostra de fezes de dois ou mais doentes (mas não dos controles) e do alimento epidemiologicamente envolvido

Isolamento de >105

células de B. cereus/grama de alimento epidemiologicamente suspeito

Detecção da enterotoxina

Brucelose

Brucella spp. no sangue dos doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

 

Aumento de quatro vezes ou mais do título de aglutinação em amostras de sangue coletadas durante a enfermidade aguda, e de três a seis semanas após o início da enfermidade

 

Enterite por Campylobacter

Isolamento de C. jejuni nas fezes ou sangue de pessoas doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

Os mesmos sorotipos de pacientes e do alimento envolvido por técnicas de DNA

Aumento de quatro vezes ou mais do título de aglutinação em amostras de sangue coletadas durante a enfermidade aguda, e de duas a quatro semanas após o início da enfermidade

 

Botulismo

Isolamento de Clostridium botulinum em fezes ou no intestino de doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

   

Detecção da toxina botulínica em soro, fezes ou alimentos: freqüentemente há antecedentes de ingestão de conservas caseiras ou peixe de fermentação caseira; ovas de peixe ou carne de mamíferos marinhos

Gastroenterite por Clostridium perfringens

 

O mesmo sorotipo de C. perfringens em amostras de quase todos os doentes, mas não dos controles, e do alimento epidemiologicamente envolvido

Isolamento de span ³ 106 células de C. perfringens/grama de alimento epidemiologicamente envolvido. span >105 colônias de C. perfringens/grama de fezes de doentes é uma prova presumível

Demonstração da toxina nas fezes através de técnicas apropriadas

Gastroenterite por Escherichia coli spp

 

O mesmo sorotipo de E. coli de quase todos os doentes, mas não dos controles, e do alimento epidemiologicamente envolvido. Isolamento de E. coli O157:H7 ou Shiga (vero) toxigênico no alimento epidemiologicamente envolvido

 

Demonstração de cultura enterotoxigênica em alça intestinal, rato recém-nascido, cultura de tecido, ou através de outra técnica biológica, ou invasão pela produção de conjuntivite no olho de cobaia ou outra técnica



Histamina como substância

(histaminose)

   

Detecção de níveis de histamina > 50 mg/100 g de músculo de peixe

Suspeita devido à síndrome típica e antecedente de ter consumido peixes da família Scombroidae

Listeríase

Isolamento de L. monocytogenes em autópsia de material fetal ou casos que evoluíram para óbito

Isolamento do mesmo fagotipo no mesmo grupo de pacientes e de alimentos epidemiologicamente envolvidos

 

A virulência das cepas é avaliada com testes em coelhos, inoculação em ratos e ovos embrionados

Salmonelose

Salmonella em fezes, swab retal (urina ou sangue quando existem sintomas de septicemia) de doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

O mesmo sorotipo de Salmonella nos doentes e nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

   

Shiguelose

Shigela spp em fezes ou swab retal de doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

O mesmo sorotipo nos doentes e nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

   

Enterotoxicoseestafilocócica

Isolamento de > 105 /g de S. aureus nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

O mesmo fagotipo do vômito ou das fezes dos doentes e dos alimentos epidemiologicamente envolvidos em pele, nariz ou lesão dos manipuladores de alimentos

Detecção de enterotoxina no alimento epidemiologicamente envolvido através de testes sorológicos

Escarlatina estreptocócica

 

Os mesmos tipos M e T de estreptococos grupos A ou G da garganta de doentes e dos alimentos epidemiologicamente envolvidos

   

Cólera

Isolamento do Vibrio cholerae 01 ou 0139

 

Aumento do título sérico durante a fase aguda ou na convalescença precoce da enfermidade, e diminuição do título durante a última fase de convalescença em pessoas não imunizadas

Demonstração de cultura e filtragem enterotoxigênica em alça intestinal, rato recém-nascido, cultura de tecido ou outra técnica biológica

Diarréias por Vibrio cholerae não-O1, não-O139

Isolamento de V. cholerae do mesmo sorotipo não-O1 não-139 nas fezes de doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

     

Gastroenterite por Vibrio parahaemolyticus

Isolamento de > 105 células de V. parahaemolyticus nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

Isolamento de V. parahaemolyticus kanagawa positivo do mesmo sorotipo nas fezes de quase todos os doentes

 

Suspeita quando um adulto tem uma história de ingestão recente de peixes ou mariscos crus

ENFERMIDADE

ISOLAMENTO DO PATÓGENO

ASSOCIAÇÃO SOROTIPO

AUMENTO DO TÍTULO OU NÚMERO RECUPERADO

DETECÇÃO DE TOXINAS OU OUTROS CRITÉRIOS

Infecção por Vibrio vulnificus

Isolamento de V. vulnificus no sangue do doente

   

Em geral, os pacientes apresentam enfermidade crônica hepática ou hematológica. História de ingestão recente de mariscos crus

Yersiniose

Isolamento de Y. enterocolítica ou Y. pseudotuberculose na maioria dos doentes ou nos alimentos epidemiologicamente envolvidos

 

Aumento de quatro vezes ou mais do título de aglutinação em amostras de sangue obtidas durante a enfermidade aguda, e de duas a quatro semanas após o início da enfermidade

 

Outras enfermidades bacterianas

Variáveis, dependendo da avaliação clínica e laboratorial e das circunstâncias individuais

   

VIROSES

   

Hepatite A

Detecção de vírus ou de IgM anti-hepatite A em pessoas que consumiram o alimento envolvido

   

Acompanhamento com testes de função hepática, história de ingestão de mariscos crus

Norwalk e enfermidades virais afins (pequeno vírus redondo estruturado)

Evidência sorológica do vírus. Observação à microscopia eletrônica

 

Aumento de mais de quatro vezes no título de anticorpos no soro na fase aguda ou de convalescença

Suspeita quando os pacientes apresentam uma síndrome; período de incubação e duração da enfermidade concordante com a enfermidade descrita

Outras enfermidades bacterianas

Variáveis, segundo a avaliação clínica e laboratorial das circunstâncias individuais

     
   

Parasitárias

   

Criptosporidiose

Detecção de C. parvum em fezes de pessoas doentes e no alimento. Detecção em estágio avançado em biópsia de intestinos envolvidos ou associados

     

Ciclosporose

Detecção de oócitos de C. cayetanensis nas fezes de pessoas doentes, por microscopia, e associados com o alimento envolvido. Demonstração do oócito esporulado no alimento

     

Giardíase

Demonstração de G. lamblia nas fezes, conteúdo duodenal ou em biópsia de intestino. Demonstração do organismo no alimento envolvido

 

Detecção de antígeno nas fezes de pacientes

 

Toxoplasmose

Recuperação do agente na carne envolvida

 

Evidência sorológica da exposição

 

Triquinose

Demonstração de larvas nos alimentos, demonstração de cistos em amostras de biópsia muscular

 

Evidência sorológica da infecção

Suspeita de pacientes com um quadro típico, incluindo evidente eosinofilia e história de consumo de carne de porco ou de animal silvestre crua ou com cozimento insuficiente

Enfermidade

Detecção de toxinas

Outros critérios

Intoxicação diarréica por mariscos

Detecção da toxina no marisco envolvido epidemiologicamente através de testes com camundongos

Detecção de grande número de Dinophysis na água de onde se origina o molusco epidemiologicamente envolvido

Envenenamento paralítico por mariscos (saxitoxina)

Detecção de saxitoxinas e de toxinas relacionadas nos moluscos epidemiologicamente envolvidos

Detecção de grande número de espécies toxigênicas de dinoflagelados na água de onde se origina o molusco epidemiologicamente envolvido. Antecedentes de ingestão de mariscos crus ou presença de maré vermelha na área de captura dos mariscos

Ciguatera

Demonstração de ciguatoxina no peixe epidemiologicamente envolvido

Síndrome clínica típica em pessoas que tenham consumido peixe previamente associado com ciguatera

Envenenamento por Baiacú (puffer fish) (Tetrotoxina)

Demonstração de termodotoxina em Baiacú

Antecedentes de ingestão de Baiacú

Envenenamento por cogumelos do grupo dos produtores de amatoxina, falotoxina ou giromtrina

Demonstração de amanita-toxina, falmidina, faloina, amantina nos cogumelos epidemiologicamente envolvidos, ou na urina

Antecedentes de ingestão de espécies tóxicas de cogumelos

Gastroenterite por cogumelos tóxicos

Demonstração de substâncias químicas tóxicas nos cogumelos envolvidos, ou características morfológicas e cor dos cogumelos

 

Envenenamento por ácido ibotênico e muscimol

Demonstração do ácido ibotênico e muscimol no alimento envolvido

História de consumo de cogumelos

Intolerância ao álcool por ingestão de cogumelos

Demonstração de substâncias químicas tóxicas nos cogumelos epidemiologicamente envolvidos ou na urina

Antecedentes de ingestão de espécies de cogumelos, com efeito do tipo do disulfiran após ingestão de bebida alcóolica

Envenenamento por cogumelos do grupo muscarina

Demonstração de muscarina nos cogumelos epidemiologicamente envolvidos, ou na urina

Antecedentes de ingestão de espécies tóxicas de cogumelos

Envenenamento por vegetais em geral

Demonstração de substâncias tóxicas em frutas, flores, sementes ou bulbos ou qualquer parte da planta

Antecedentes de ingestão de espécies tóxicas de vegetais

Substâncias químicas

Glutamato monossódico

Detecção de altas concentrações de GMS no alimento epidemiologicamente envolvido

Suspeita quando se apresenta uma síndrome típica e altas concentrações de GMS foram adicionadas ao alimento envolvido

Envenenamento por metais pesados

Demonstração de alto teor de íons metálicos no alimento ou na bebida epidemiologicamente envolvida

Antecedentes de armazenamento ou conservação de alimentos ou bebidas de alto teor ácido em recipientes ou tubulações de metal

Envenenamento por outras substâncias ou produtos químicos

Demonstração de altos teores de substâncias químicas no alimento ou na bebida epidemiologicamente envolvida

Antecedentes de uso ou armazenamento da substância química suspeita no ambiente do alimento em questão

 

 


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