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GuiaVETA
Guia de Sistemas de Vigilância das Enfermidades Transmitidas por Alimentos (VETA) e a Investigação de Surtos

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ANEXO C

EQUIPAMENTOS E INSTRUÇÕES PARA COLETA DE AMOSTRAS NA PESQUISA DE ETA

1. EQUIPAMENTOS E MATERIAIS PARA COLETA DE AMOSTRAS



TIPO DE EQUIPAMENTO

DESCRIÇÃO

Embalagens para amostras esterilizadas

Sacolas plásticas (descartáveis ou tipo Whirl-pak); vidros de boca larga (0,3 a 1,5 litros de capacidade), com tampa de rosca; garrafas para amostras de água (as garrafas para água clorada devem conter tiossulfato de sódio suficiente para garantir uma concentração de 100 mg desse composto para cada litro de amostra); papel de estanho ou de embrulho, grosso; recipientes de metal.

Utensílios esterilizados e embrulhados para coleta de amostras

Colheres; conchas; abaixadores de língua; facas de açougueiro; fórceps; pinças; espátulas; brocas; tubos metálicos (1,25 a 2,5 cm de diâmetro, 30 a 60 cm de comprimento); pipetas; tesouras; swabs de Moore (chumaços compactos de gazes feito com retalhos de 120 por 15 cm, amarrados no centro por um fio ou arame longo e forte para amostras a serem colhidas em bueiros, esgotos, riachos e tubulações, etc.).

Equipamentos para a coleta de amostras -

Embalagens de papelão (com tampa) para amostras de fezes; vidros contendo um conservante e uma solução para transporte; recipientes e papelão protetores para amostras de fezes; swabs esterilizados; equipamentos para coleta de amostra retal com swab, chumaço de gaze esterilizado de 10 x 10 cm, tubos para transporte.

Dispositivos para registro de temperatura

Termômetro tipo baioneta (para carne), com variação de -17,8 a 104oC (-0,04 a 219,2ºF) e comprimento mínimo de 13 cm (de preferência 20 cm) em embalagem protetora; bulbo termométrico (variação de -17,8 a 104oC)(-0,04 a 219,2ºF) em embalagem protetora; marcador de ponta fina de feltro; rolo de fita adesiva; pedaços de papelão à prova d’água (impermeáveis), com furos e atados com arame; lanterna; broca elétrica; palitos de fósforo; água peptonizada a 0,1%; água destilada com solução-tampão (5 ml em tubos com tampa de rosca); porta-tubos de laboratório; caixas com vedação; formulários para pesquisadores.

Equipamento de apoio

Marcador de ponta fina; rolo de fita adesiva; rótulos; cartões impermeáveis com perfuração e arame; lanterna; broca elétrica; palitos de fósforo; água peptonizada ou água destilada com solução-tampão (5 ml em tubo com tampa de rosca), porta-tubos; embalagem com vedação; medidor de pH; hidrômetro; protocolos de pesquisa.

Agentes esterilizadores

Álcool etílico (95%), tocha de propano.

Gelo

Gelo embalado; gelo em sacolas plásticas; líquido em latas para congelar; sacolas ou jarras de plástico ou borracha para encher com água e congelar; sacolas de plástico muito resistentes para gelo.

Roupas

Uniformes brancos para laboratórios; toucas e gorros descartáveis; luvas de plástico descartáveis; botas de plástico descartáveis (opcionais).

Organizar, no mínimo, 15 sacolas plásticas ou vidros de boca larga esterilizados, 15 colheres esterilizadas, oito embalagens para coleta de amostras ou dispositivos semelhantes, e uma unidade de cada kit de equipamento e de esterilização, reunidos num kit a ser guardado no órgão responsável pela pesquisa de enfermidades transmitidas por alimentos. Para que esse kit sempre esteja em condições de uso imediato, torna-se necessária a re-esterilização ou substituição de utensílios, meios ou materiais para transporte esterilizados.

 

2. COLETA, CONSERVAÇÃO, EMBALAGEM E REMESSA DE AMOSTRAS DE ALIMENTOS

 

AMOSTRAS

 

MÉTODOS DE COLETA E CONSERVAÇÃO



MÉTODOS DE EMBALAGEM E REMESSA



Alimentos sólidos ou mistura de alimentos

Cortar ou separar porções de alimentos com uma faca esterilizada ou outro utensílio, se necessário. Coletar, com assepsia, pelo menos 200 gramas de amostra com utensílios esterilizados e transferir para uma sacola plástica esterilizada ou para um vidro de boca larga. Tomar diferentes amostras da parte de cima, do centro e de outros lugares, conforme necessário. Refrigerar a amostra.

Rotular. Colocar gelo ao redor da embalagem com a amostra. Não congelar nem usar gelo seco. Levar a amostra ao laboratório ou enviar pelo meio mais rápido possível.

Alimentos líquidos ou bebidas

Misturar ou agitar. Coletar a amostra de acordo com uma das seguintes maneiras:

 
 

1. Colocar, com um elemento esterilizado, pelo menos 200 ml em embalagem esterilizada. Refrigerar a amostra.

Idem.

 

2. Colocar o líquido em um tubo longo, esterilizado, e cobrir a abertura superior com o dedo ou a palma. Transferir o líquido para uma jarra ou uma sacola esterilizada. Refrigerar a amostra.

Idem.

 

3. Submergir o swab de Moore no recipiente com o alimento líquido ou inseri-lo na tubulação para que o líquido circule através dele. Conservar nessa posição durante várias horas, se possível. Transferir o swab para um vidro que contenha meio de cultura.

Levar a amostra ao laboratório o mais rápido possível; em geral não necessita refrigeração.

 

4. Quando o líquido não é viscoso, passar 1 ou 2 litros por um filtro de membrana. Transferir, com assepsia, o chumaço do filtro para um vidro com meio de cultura.

Idem.

Alimentos congelados

Usar um dos seguintes procedimentos:

Manter congelado. Usar gelo seco quando necessário. Coletar ou enviar em embalagem com vedação.

 

1. Enviar ou levar pequenos volumes congelados para o laboratório, sem descongelar ou abrir.

 
 

2. Perfurar com broca esterilizada de diâmetro grande, a partir da parte superior da embalagem, em sentido diagonal, pelo centro, até a parte inferior do lado oposto. Repetir do outro lado até coletar pelo menos 200 g.

 
 

3. Moer o material congelado com martelo e cinzel esterilizado e coletar os farelos com um elemento esterilizado; transferir pelo menos 200 g para uma embalagem estéril. Usar gelo seco, se necessário. Coletar ou enviar em embalagens com vedação.

 

Carnes ou aves cruas

A amostragem será feita através de um dos seguintes procedimentos:

Utilizar o mesmo método dos alimentos sólidos ou líquidos, ou, quando se encontra em meio de cultura, levar ao laboratório o mais rápido possível.

 

1. Com um elemento estéril ou luva plástica estéril, colocar a carcaça da ave ou um pedaço grande de carne em sacola plástica estéril. Adicionar 100 a 300 ml de meio de cultura. Remover a amostra e fechar a sacola.

 
 

2. Passar uma esponja estéril sobre uma área grande da carcaça ou do corte de carne. Colocar o swab em um vidro com meio de cultura.

 
 

3. Molhar um swab em água destilada com solução-tampão, ou com água peptonizada a 0,1%. Coletar com um swab em uma parte grande da carcaça ou do corte de carne. Colocar em meio de cultura específico para o patógeno pesquisado.

 

4. Com uma luva de plástico estéril limpar a carcaça com quadrados de gaze esterilizada. Colocar a gaze em um vidro com meio de cultura.

 
 

5. Cortar, com assepsia, uma porção de carne ou pele de diferentes partes da carcaça ou do corte de carne, ou remover uma porção da carcaça. Colocar pelo menos 200 g de amostra em sacola plástica ou frasco de vidro esterilizado. Refrigerar.

 
 

6. Colocar a carcaça da ave ou uma porção grande de carne em sacola de plástico grande, esterilizada. Adicionar 100 ml de meio de cultura e agitar. Retirar a amostra e fechar a sacola.

 

Alimentos desidratados

Inserir um tubo oco esterilizado da parte superior de um lado da embalagem, no sentido diagonal, pelo centro, até a parte inferior do lado oposto. Segurar a parte superior e transferir a embalagem esterilizada. Repetir do lado oposto até recolher pelos menos 200 g. Um método alternativo é recolher material com colher, espátula, abaixador de língua ou elemento semelhante, sempre esterilizado. Transferir o material para uma embalagem estéril.

Conservar em embalagem hermética, resistente à umidade. Levar ou enviar para o laboratório.

Material de raspagem, filtros de ar, varredura, poeira, detrito, etc.

Cortar ou coletar pelo menos 200 g de material com abaixador de língua esterilizado, espátula, colher ou pinça, e colocar em sacolas de plástico ou vidros de boca larga esterilizados.

Idem, dependendo do material.

Amostragem do meio-ambiente ou da superfície dos equipamentos obtida com swab.

Molhar o swab em água peptonizada esterilizada a 0,1%, ou água destilada com solução-tampão e passar nas superfícies de contato dos equipamentos ou nas superfícies ambientais. Colocar o swab em meio de cultura.

Embalar, rotular e enviar como swab fecal.

Ar

Tocar a placa ou o líquido com um dispositivo para amostragem de ar ou deixar que fique depositado no meio de cultura ou nas placas.

Fechar com fita adesiva, rotular ou levar ao laboratório. Refrigerar as amostras líquidas.

Água

Coletar amostras com antecedentes, incluindo água em garrafas térmicas, pedras de gelo e tanques. Coletar amostras de água de torneira depois de abri-la por 10 segundos. Coletar amostras de água de fonte após escorrer 5 minutos. Colocar o frasco estéril embaixo do jato de água e encher até 2,5 cm da tampa. Coletar de 1 a 5 litros. Podem ser utilizados, alternativamente, filtros de membrana. Os swabs de Moore podem ser usados para amostragem de água em riachos ou tubulações, mantendo-os na posição por 48 horas, e depois transferir para o meio de cultura.

 

 

Fechar com fita adesiva, rotular. Embalar com material absorvente. Colocar na caixa e levar ou enviar para o laboratório. Em geral não requer refrigeração.

 

3. INSTRUÇÕES PARA COLETA DE AMOSTRAS DE ELEMENTOS CLÍNICOS DE MANIPULADORES PARA EXAMES BACTERIOLÓGICOS

 



TIPO DE ELEMENTO

TÉCNICA DE COLETA

CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE

TIPO DE TESTE

Sub-ungueal

1. Molhar um swab com solução salina estéril ou meio de cultura Muller-Hinton.

2. Coletar o material e introduzir imediatamente no meio de transporte.

Levar imediatamente ao laboratório em temperatura ambiente. Quando não for possível, manter assim por, no máximo, 24 horas e depois introduzir swab com gelo.

Pesquisa de:

E. coli fecal

Salmonella

Shigella

estafilococos

Lesões de pele:

furúnculos,

abscessos,

secreções em geral

(principalmente de braços, mãos, dedos, pescoço e rosto)

 

1. Limpar a pele com solução fisiológica ou com desinfetante pouco potente para evitar a contaminação com agentes saprófitos.

2. Exercer pressão sobre a lesão com ajuda de gaze estéril, e coletar a amostra com swab estéril, procurando remover a maior quantidade possível de secreção.

3. Se a lesão estiver fechada, desinfetar a pele e exercer pressão com seringa estéril.

Quando não for possível enviar ao laboratório imediatamente, colocar o swab ou o material obtido com uma seringa dentro de um tubo estéril ou no meio de transporte.

Quando a remessa não puder ser feita no prazo de 24 horas, colocar em um depósito de gelo até ser entregue no laboratório.

Pesquisa de:

estafilococos

Orofaringe e fossas nasais

Coletar o material com swab estéril e introduzir imediatamente no meio de transporte.

Enviar imediatamente ao laboratório. Quando a remessa não puder ser feita no prazo de 24 horas, colocar em um depósito de gelo até ser entregue.

Pesquisa de: estafilococos

Vômitos

O paciente pode vomitar diretamente em depósito estéril ou sacola plástica.

Pode ser coletado do depósito ou vasilhame limpo com colher ou espátula e colocar em embalagem estéril.

Manter a amostra refrigerada até realizar o exame, mas NÃO CONGELAR.

Transportar rapidamente ao laboratório.

Agentes patógenos

Toxinas

Urina

Limpar a área ao redor do orifício uretral com iodo a 4%. Coletar até 30 ml em embalagem estéril e tampar.

Manter a amostra refrigerada até realizar a análise, mas NÃO CONGELAR.

Transportar rapidamente para o laboratório.

Agentes patógenos

Tóxicos químicos e naturais

Sangue

Coletar o sangue da veia média anti-cubital. Coletar 15 ml em adultos, 3 ml em crianças. Centrifugar o sangue e colocar o soro em tubo pequeno e armazenar a -18oC (-0,4ºF). Ou então deixar o sangue em repouso e extrair o soro com uma pipeta e colocar no tubo.

Refrigerar o sangue. Nunca congelar as amostras, pois ocorre a lise da hemácia, alterando a amostra.

O soro pode ser congelado.

Anticorpos, agentes e toxinas

 

4. INSTRUÇÕES GERAIS PARA COLETA DE AMOSTRA FECAL



COLETA CONSERVAÇÃO TRANSPORTE

TIPO DE AGENTE

 

VÍRUS

BACTÉRIAS

PARASITAS

Quando coletar?

De 48 a 72 horas após o início da enfermidade.

Durante períodos de diarréia ativa (de preferência logo após o início da enfermidade).

A qualquer momento após diagnóstico do surto (de preferência logo após o início do surto da enfermidade).

Quanto coletar?

A maior quantidade possível de amostras de fezes de cada uma em 10 pessoas doentes (pelo menos 10 cc por cada indivíduo); coletar também amostras de 10 controles.

Dois swabs retais ou swabs de fezes frescas de cada uma de 10 pessoas doentes; também podem ser apresentadas amostras de 10 controles.

Uma amostra de fezes frescas de cada uma de 10 pessoas doentes; também podem ser apresentadas amostras de 10 controles.

Método de coleta

Coloque amostras de fezes frescas (de preferência líquidas), que não tenham sido misturadas com urina, em embalagens limpas e secas, (por exemplo, em embalagens para coletar amostras de urina).

Para preparar os swabs retais, molhar, inicialmente, cada um dos swabs em meio de Cary-Blair, depois inserir 2 a 3 cm no reto e girar o swab lentamente. Colocar os dois swabs no mesmo tubo com meio de Cary-Blair.
Quebrar a parte superior dos palitos do swab e descartar.

Coletar uma amostra de fezes que não esteja misturada com urina em um recipiente limpo. Colocar uma porção de cada amostra de fezes em uma solução preservativa de formalina e álcool polivinílico, na proporção de uma parte de fezes para três partes de preservativo. Misturar bem.

Armazenamento do material após a coleta

Refrigerar imediatamente a 4oC (39,2 ºF). NÃO CONGELAR quando for utilizar microscópio eletrônico.

Refrigerar imediatamente a 4oC (39,2ºF) quando os testes forem feitos no prazo de 48 horas após a coleta das amostras; caso contrário, congelar as amostras a -70o C

(-94ºF).

Guardar em temperatura ambiente ou refrigerar a 4oC (39,2ºF). NÃO CONGELAR.

Transporte

Manter as amostras refrigeradas. Utilizar um recipiente térmico para colocar as amostras em sacolas fechadas, com gelo ou pacotes refrigeradores. Enviar pelo correio urgente. NÃO CONGELAR.

Refrigerar do mesmo modo que para espécies virais. No caso de amostras congeladas, colocá-las em sacolas fechadas, dentro de sacolas com gelo seco. Remeter em caixa térmica pelo correio noturno.

Refrigerar do mesmo modo que para as espécies virais. Para as amostras a temperatura ambiente, a remessa deve ser feita em recipientes à prova d’água. NÃO CONGELAR.

1 Identificar cada embalagem com uma amostra com um marcador à prova d’água. Colocar as amostras em embalagens fechadas e à prova d’água (por exemplo: sacolas plásticas). Preparar um lote e enviar pelo correio noturno, de modo a chegar no destino em dia útil, durante o horário de expediente.

 

 


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